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Fórum baiano lança caderneta inédita para acompanhamento de pacientes com implante coclear
O I Fórum Baiano de Saúde Auditiva reuniu na última sexta-feira (8) especialistas, gestores públicos, profissionais da saúde, pacientes, estudantes e representantes institucionais em Salvador para discutir os desafios e avanços da reabilitação auditiva no Sistema Único de Saúde (SUS) e para o lançamento de uma caderneta inédita. O evento, realizado pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), destacou a importância na ampliação do acesso ao diagnóstico precoce, às próteses auditivas e ao implante coclear, além de fortalecer o debate sobre políticas públicas voltadas à saúde auditiva na Bahia. Conhecido como a “cirurgia do ouvido biônico”, o implante compreende um avançado tratamento para pessoas com deficiência auditiva de grau severo e profundo. O implante coclear caracteriza-se como um dispositivo eletrônico que estimula diretamente as fibras remanescentes do nervo auditivo, possibilitando ao usuário a capacidade de perceber o som.
Um dos momentos mais aguardados da manhã foi o lançamento da “Caderneta do Paciente com Implante Coclear”, criada para unificar informações médicas, orientar profissionais de saúde e dar mais autonomia aos pacientes com implante coclear. Segundo a médica residente em otorrinolaringologia da OSID e idealizadora da caderneta, Juliana Darbra, o material também representa um instrumento de empoderamento e cuidado integral. “Todo conhecimento é uma forma de poder. Com essa caderneta, a gente quer oferecer autonomia para que os pacientes sejam donos das próprias vidas. Esse documento foi feito justamente para garantir acesso, informação e continuidade do cuidado aos pacientes implantados”.
Entre os presentes estavam o coordenador do Serviço de Otorrinolaringologia da OSID e do I Fórum Baiano de Saúde Auditiva, o médico Eduardo Barbosa; a superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce, Maria Rita Pontes; o deputado federal e médico Jorge Solla; o cirurgião de implante coclear Helissandro Coelho; o presidente da Sociedade Brasileira de Otologia, Rogério Hamerschmidt; e o subsecretário de Saúde da Bahia, Paulo José Bastos Barbosa.
Durante o discurso inaugural, o fundador do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Santo Antônio, Eduardo Barbosa, ressaltou a importância do fórum como espaço estratégico para o fortalecimento da saúde auditiva no estado: “É preciso falar sobre saúde auditiva, sobre as novas tecnologias, e oferecer cada vez mais qualidade de vida a esse paciente. Também é necessário integrar assistência, formação profissional e políticas públicas para garantir um atendimento mais acessível à população”, destacou.
O evento contou ainda com um momento de espiritualidade, conduzido pela assessora de Cultura Organizacional da instituição, Irmã Maiara Santos. A programação científica teve início com a conferência “Realidade da reabilitação auditiva no Brasil: da triagem auditiva neonatal ao implante coclear”, ministrada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Otologia, Rogério Hamerschmidt. Em sua apresentação, o especialista abordou os desafios enfrentados pelo país no diagnóstico precoce da deficiência auditiva e na ampliação do acesso ao implante coclear pelo SUS.
Na ocasião, a superintendente da instituição, Maria Rita Pontes, destacou que a troca de experiências entre profissionais, gestores e pacientes contribui diretamente para a ampliação do acesso ao diagnóstico e à reabilitação auditiva. “Este fórum nasce com o propósito de unir conhecimento científico, experiência clínica e compromisso social. Mais do que um encontro acadêmico, é um espaço de aprendizagem e transformação, no qual conseguimos discutir caminhos concretos para tornar a saúde auditiva mais acessível, humanizada e eficiente para toda a população.”
Além de reunir dados clínicos e orientações importantes sobre o implante coclear, a caderneta deve acompanhar o paciente em consultas e procedimentos médicos, facilitando o atendimento em diferentes serviços de saúde. A proposta do material é organizar e registrar informações fundamentais do tratamento, como dados do implante, datas de cirurgia e ativação, além do histórico clínico do paciente, facilitando a comunicação entre a pessoa implantada e os profissionais de saúde. O material será disponibilizado para a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e para o Ministério da Saúde, com o objetivo de levar o benefício a mais pessoas.
As estudantes de Fonoaudiologia da UFBA destacaram o impacto do I Fórum Baiano de Saúde Auditiva na formação acadêmica e na compreensão da importância da atuação profissional na vida dos pacientes. Para Fernanda Laranjeira, a experiência tem sido enriquecedora por possibilitar contato com diferentes etapas do cuidado em saúde auditiva: “Consegui acompanhar esse cuidado, o processo de reabilitação e a triagem neonatal. É espetacular ver isso, porque gera identificação com o que queremos seguir no futuro, como futuras fonoaudiólogas. Também é muito importante ouvir os relatos dos otorrinos e dos fonos”. Já Beatriz Teixeira Diamantino ressaltou como os casos apresentados fortaleceram sua motivação profissional: “Quando conseguimos ver a evolução do tratamento e a importância da nossa profissão na vida de alguém, isso só fortalece a nossa vontade de ser bons profissionais e de atuar nessa área.”
Ao longo do dia, novas mesas-redondas aprofundaram as discussões sobre os programas de próteses implantáveis no SUS, os desafios da reabilitação auditiva na Bahia e a importância da atuação interprofissional no cuidado aos pacientes com perda auditiva. Encerrando a programação, profissionais de diferentes áreas debateram o panorama da reabilitação auditiva nos Centros Especializados em Reabilitação, destacando a importância da atuação integrada entre médicos, psicólogos, assistentes sociais e fonoaudiólogos no acompanhamento dos pacientes.

