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Ao anjo, com carinho

Ao anjo, com carinho

Um sorriso sereno e acolhedor; um olhar que parecia vasculhar nossa alma em busca do melhor de nós mesmos, e aquela energia de menina peralta que teimava em nos lembrar que amor se escreve com “s”, de solidariedade. Ah, Irá, ainda não estávamos preparados para dizer adeus. Afinal, tocaste nosso coração com tua paz de forma irremediável. Cativaste nossos dias na Casa do Anjo ao cruzar nossas manhãs com a pressa de quem seguia para um encontro inadiável: um encontro com o mais necessitado, com o sofrimento humano. O compromisso em disseminar o bem e a força para não hesitar diante da dor do outro, mas antes agir para aliviá-la, tornaram-se o hino de tua vida; uma ópera de beleza e ternura que embalou sua caminhada de misericórdia ao lado de Dulce. Ah, Irá, que sensação estranha é essa que deixaste em nossas vidas. Testemunhamos a despedida, mas ainda há pouco escutamos tua voz pelos corredores e salas. Poderíamos até mesmo jurar que a vimos esta manhã passando pelo antigo galinheiro a ponto de quase comentarmos: “Lá vai Irá”.

De fato, estamos como criança à espera da porta se abrir e de sua inconfundível voz ecoar quebrando o silêncio da saudade. Mas que ingenuidade achar que seria diferente. A certeza, meu anjo, é que continuarás presente, pois suas pegadas estão cravadas neste solo. E basta olhar com um pouco mais de atenção que veremos também, ao lado delas, muitas outras pegadas; tal qual passos de gratidão de quem teve a vida tocada pela guardiã do Amar e Servir. Obrigado, Irá, por nos revelar, independente da formação que trazíamos na bagagem, que a alegria da vida está em amar sem medida; em descobrir no bem-estar do próximo a nossa própria felicidade; em enxergar na simplicidade das coisas a verdadeira morada da sabedoria. Por ora, em meio a dor da saudade, permita-nos apenas acrescentar mais uma lição. De fato, uma verdade aprendida apenas ao testemunhar suas ações, a observar teus gestos, a prosear rapidamente contigo: a lição de que bondade, generosidade, amor, fé, lealdade e compaixão também se escrevem com “i”, de Iracy.

 

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