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Ao encontro do Anjo

Ao encontro do Anjo

O olhar caridoso, o acolhimento, os gestos de generosidade e os esforços sem medida para ajudar o próximo serão para sempre lembrados por todos que conheceram Iracy Vaz Lordello, a inesquecível Irá, que faleceu na madrugada da última sexta-feira (1° de dezembro), aos 85 anos, na sede das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). Amiga do Anjo Bom da Bahia e voluntária mais antiga da instituição, Iracy foi discípula, além de testemunha viva e fiel, do legado de amor e serviço da Mãe dos Pobres, exercendo, com proximidade e entrega, os ensinamentos da Bem-Aventurada. Ao longo de mais de seis décadas de trajetória nas Obras Sociais, Iracy deixou belos exemplos e boas recordações entre os que com ela conviveram ou até mesmo tiveram um breve contato. Em todo lugar da instituição, é fácil encontrar um relato, uma lembrança da querida voluntária, que inclua em seu roteiro cenas de solidariedade, dedicação, atenção e cuidado. “Iracy cuidava muito de nós, estava sempre perguntando se tínhamos comido, se estávamos bem. Também dava suporte aos nossos pacientes e seus familiares nos momentos difíceis”, contou a residente de Clínica Médica da OSID, Virgínia Santos.

Bastante emocionado, o preceptor da Clínica Médica e ex-residente da OSID, Mateus do Rosário, também lembra com carinho e saudade dos mimos de Irá. “Iracy era um ser muito especial. Ela tratava a todos muito bem, com muito humor, estava sempre feliz, tinha uma inocência linda, o sorriso lindo, vivacidade, a alma alegre. Irá era um pedaço das Obras de Irmã Dulce personificado”. “Iracy foi uma avó que a vida me deu. Assim como Irmã Dulce, seguiu os passos de Jesus, sendo uma pessoa que viveu para amar o próximo, servir e consolar. Uma verdadeira vida dedicada ao evangelho de Cristo. Um grande exemplo de amor”, destacou o cardiologista Ricardo Chalhub, que atuou na instituição durante quatro anos. “Hoje descansou a pessoa que conheci com maior coração do mundo; aquela que exercia com mais semelhança os ensinamentos de Irmã Dulce! O amor e carinho que tínhamos um pelo outro tornou minha residência uma segunda casa. O melhor troféu que a residência me deu foi você, dona Irá! Fica com Deus e nos braços de Irmã Dulce!”, escreveu em uma rede social o médico Carlos Antônio Moura, preceptor da Clínica Médica das Obras.

Para a gestora de Saúde da OSID, Lucrécia Savernini, a palavra que melhor traduz a relação de Iracy Lordello com os médicos e residentes é acolhimento. “Iracy era como se fosse o amor vivo, que abraçava os médicos e residentes não só na chegada deles, mas durante toda a permanência deles aqui. O carinho, o café, a bananinha, o lanche... Irá sempre dizia: ‘alimentar o corpo para deixar o corpo forte para eles poderem cuidar dos doentes’. Mas mal sabia ela que mais do que alimentar o corpo, ela alimentava o espírito. E esse alimento, esse carinho que ela dava para o espírito de cada um, muitos deles jovens, inseguros, com medo, era como de uma avó, de uma mãe que cuidava e passava segurança”.

Entre os profissionais dos mais diversos setores das Obras Sociais Irmã Dulce, também são muitos os momentos para guardar na memória e no coração. Funcionário da OSID há 14 anos, o marceneiro Reinivaldo Pereira passou a ter uma relação próxima com Irá, por ser o principal ajudante da voluntária na montagem dos seus queridos presépios todos os anos. “Eu ficava praticamente à disposição dela para a arrumação dos presépios. Tínhamos uma aproximação de mãe e filho e a considerava minha segunda mãe. Se eu dissesse que estava com qualquer dor ou mal-estar, ela me puxava pelo braço e me levava para algum médico”, observou Reinivaldo, a quem Iracy chamava carinhosamente de “beldroega” (arbusto de folhas suculentas e flores coloridas). Lembranças inesquecíveis que marcam também o jardineiro das Obras, Joelliton Custódio, que costumava ajudar Iracy em tarefas como recebimento de doações e transporte dos enfeites de Natal. “Uma pessoa muito boa, doce e amiga, que adorava ajudar as pessoas”.

“Iracy era tão plena, tão espontânea e tão verdadeira, que ela era o depoimento vivo da bondade, do amor, da solidariedade. Ela seguiu fielmente o que Irmã Dulce pediu. E cada prato que ela dava, cada dinheiro que ela doava, cada preocupação, cada leito que ela visitava, ela retroalimentava esse amor. Ao mesmo tempo em que Irá era extremamente profunda na sua caridade, ela tinha uma alegria vinda do divino, uma alegria muito especial, traduzida em gestos concretos de amor. Iracy foi a síntese de toda a bondade humana”, salientou o assessor de Memória e Cultura das Obras, Osvaldo Gouveia. Iracy também transmitiu belos exemplos para sua família, como relatou emocionado seu sobrinho e afilhado Leonardo Lordello: “Tia Iracy foi uma mãe para mim. Ajudou a me criar desde pequeno junto com minha mãe, sempre me apoiou e me passou ensinamentos importantes como ser verdadeiro, honesto, ter fé e servir. A vida dela foi se dedicar às Obras Sociais junto com Irmã Dulce e levar o legado do Anjo Bom de sempre servir e ajudar as pessoas”.

Despedida - Nascida no município de São Félix, Iracy deixou o Recôncavo baiano para estudar em Salvador, construindo, ao longo dos anos, uma incansável rotina em favor do pobre, do doente, do mais necessitado. Para Irá, não existia fim de semana ou feriado. Todos os dias ela percorria as enfermarias do Hospital Santo Antônio visitando os pacientes, levando conforto e esperança aos acolhidos de Dulce. Com tantos anos de dedicação, Iracy era uma apaixonada pelas Obras, revelando, através de gestos concretos, o amor em sua plenitude. E foi em clima de grande comoção, que profissionais, médicos, residentes, religiosos, pacientes e voluntários das Obras Sociais, além de familiares e amigos de Iracy, se reuniram no Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres (Largo de Roma), na manhã do dia 1º, para o velório e missa de corpo presente, presidida por frei Giovanni Messias, reitor do Santuário, e concelebrada por frei Mário Erky, capelão da OSID. “A lembrança que fica de Iracy é o grande legado que ela deixa. Ela que foi uma grande amiga de Irmã Dulce e soube muito bem aprender com o Anjo Bom, o que fica é o testemunho de amor para com os pobres, para com os necessitados, para com todos, sem fazer distinção. Hoje, nós ganhamos mais uma intercessora no céu. Se Irmã Dulce sozinha já faz tanta coisa, imagine com a ajuda de Irá”, falou o frei Giovanni durante sua homilia.

“Iracy sempre representou para nós das Obras Sociais o pedaço de Irmã Dulce vivo, o referencial do Anjo Bom. Irá foi aquela que mais incorporou o carisma de nossa fundadora, sempre foi um exemplo. Eu costumo dizer que Irá não vestiu um hábito, mas ela se revestiu dos hábitos de Irmã Dulce. Foi a discípula mais fiel da Bem-Aventurada, ela soube viver muito bem os passos e os ensinamentos de Irmã Dulce”, completou frei Mário Erky. Ao final da celebração, o público deu adeus a Irá com velas acesas e rosas brancas, atendendo a um pedido da voluntária de que assim fosse a sua despedida. Após a missa, o corpo seguiu para o cemitério Campo Santo, onde foi sepultado. O momento mais uma vez reuniu amigos, familiares e osidianos, incluindo o presidente do Conselho de Administração das Obras Sociais, Ângelo Calmon de Sá e o conselheiro Emilton Rosa, acompanhados das respectivas esposas, Anna Maria Sá e Isabel Ceres. “Iracy era para todos nós um exemplo de amor, de dedicação e de carinho. Eu não tenho a menor dúvida de que nesse momento ela já está ao lado de Irmã Dulce querendo o bem de todos nós. Vai deixar muita saudade”, disse emocionado Ângelo Calmon de Sá.

“Irá deixa muitas saudades e uma lembrança eterna em cada cantinho das Obras. Guardaremos para sempre sua doce presença. Ela nos deixa o seu exemplo de caridade e humildade. Como ela dizia, ‘da vida nada se leva. Só o amor’. Que cada um de nós continue praticando o lema de Irá, amando e servindo ao nosso próximo", declarou a superintendente da OSID, Maria Rita Pontes.