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Devoção a Santo Antônio ganha instalação no Memorial Irmã Dulce

Devoção a Santo Antônio ganha instalação no Memorial Irmã Dulce

Um altar típico da tradicional Trezena de Santo Antônio acaba de ser montado no Memorial Irmã Dulce (MID), no Largo de Roma (Av. Bonfim, 161). A instalação intitulada Irmã Dulce e Santo Antônio, uma História de Devoção é assinada pela artista plástica e arte-educadora Mônica Silva. Com adornos de flores de papel, bandeirinhas de fitas coloridas e elementos típicos da cultura nordestina, como vasos de cerâmica e um cesto de palha onde são depositados os pedidos dos fiéis ao santo, o altar em exposição temporária remonta à tradição secular junina e tem como ícone uma relíquia da família Lopes Pontes: uma imagem do século 19 que pertenceu ao advogado Manoel Lopes Pontes, avô da freira baiana. No contexto da instalação, o santo preferido de Irmã Dulce poderá ser apreciado até 28 de julho, nos horários de visitação: terça a domingo, das 10 às 17 horas.

O museólogo Osvaldo Gouveia, assessor de Memória e Cultura das Obras Sociais Irmã Dulce, explica que “a ideia da exposição é demonstrar os aspectos artístico e cultural da antiquíssima tradição em louvor a Santo Antônio”. Tanto que a programação do Memorial para a temporada inclui a realização de um Tríduo para apresentar aos visitantes cânticos em louvor ao santo. Será nos dias 11, 12 e 13 de junho, às 14 horas, na sala onde está montado o altar, no andar térreo do MID. Nesses dias, diante da imagem, será instalado um cesto com mensagens e símbolos, como alianças e velas, para os que quiserem tirar sua sorte.

Símbolos - A instalação chama a atenção pela beleza plástica e o preciosismo da simbologia. No projeto de Mônica têm lugar de destaque as bandeiras coloridas cheias de referências. No altar criado pela artista, se por um lado o adorno tão característico dos festejos juninos faz uma alusão ao elemento primordial da obra de Volpi (um dos principais artistas brasileiros do Modernismo), por outro, remete, simbolicamente, “à bandeira social que Irmã Dulce levantou em sua trajetória”, como lembra a arte-educadora. O quadro com o rosto da beata, que originalmente tem seu lugar, no Memorial, ao lado da imagem do santo, ganhou adereços relacionados ao contexto da tradição, transformando-se em estandarte, elemento popular no enredo das procissões.

Para a artista, sua forte identificação com o tema foi fundamental para a composição de uma obra com tantas sobreposições estéticas e conceituais. “Aos seis anos eu já criava altares com caixinhas de fósforo e remédios com minha tia-avó. Dela ganhei meu primeiro Santo Antônio, quando tinha apenas um ano”, conta. Feliz com o resultado do trabalho, a artista espera que a exposição também estabeleça vínculos com os espectadores que visitem o Memorial na temporada.

Memorial – O Memorial Irmã Dulce é uma exposição permanente sobre o legado de amor e caridade da beata. Inaugurado em 1993, um ano após a morte da freira, e situado num prédio anexo ao Convento Santo Antônio, na sede da OSID, o MID reúne o hábito usado por ela, fotografias, documentos e objetos pessoais. No local pode ser visto ainda, intacto, o quarto de Irmã Dulce, onde está a cadeira na qual ela dormiu por mais de trinta anos por conta de uma promessa. Outros fatos marcantes da vida da Mãe dos Pobres são lembrados através de maquetes, livros, diplomas e medalhas.

Entre as peças do acervo, está a imagem de Santo Antônio, do século 19, pertencente à família da religiosa, diante a qual ela costumava rezar. Nas Obras Sociais, ela costumava apresentar o santo aos visitantes como o "tesoureiro da casa". A visita ao Memorial se estende à Capela das Relíquias, no Santuário de Irmã Dulce, onde, desde junho de 2010, se encontra o túmulo que guarda suas relíquias. Parte integrante do Memorial, o núcleo de Memória da OSID reúne hoje um acervo de mais de nove mil peças, ajudando a preservar e manter vivos os ideais de Irmã Dulce.

Serviço

Irmã Dulce e Santo Antônio, uma História de Devoção

Onde: Memorial Irmã Dulce (Av. Bonfim, 161, Largo de Roma)

Visitação: Terça a domingo, das 10h às 17h, até 28 de julho

Entrada franca