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Saudades de um filho

20 de May de 2015

A simplicidade, os gestos de generosidade, os esforços sem medida para ajudar ao próximo, o bom humor e o profundo amor e carinho pelo Anjo Bom e pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) serão para sempre lembrados por todos que conheceram Dr. Taciano Campos. Assessor técnico do Centro de Ensino e Pesquisa da instituição, o médico faleceu na última segunda-feira (18), em Salvador, aos 78 anos, deixando esposa, três filhas e uma legião de admiradores cujos corações foram cativados ao longo de mais de quatro décadas de dedicação à família OSID.

“Dr. Taciano foi o grande companheiro de Irmã Dulce nos tempos heróicos, quando o hospital carecia de recursos humanos, materiais e financeiros, há 40 anos. Diretor-médico do Hospital Santo Antônio desde essa época, foi o incentivador e responsável pela implantação da Residência Médica na OSID. Acompanhou de perto a saúde de Irmã Dulce e esteve, ao lado dela, nas grandes alegrias e nos sofrimentos, especialmente nos últimos 16 meses de vida do Anjo Bom. TC vai fazer falta, mas, como Irmã Dulce, estará sempre presente entre nós”, comentou Maria Rita Pontes, superintendente das Obras Sociais. Admiração destacada também pelo presidente do Conselho de Administração da OSID, Ângelo Calmon de Sá: “Quando eu aqui cheguei, há 35 anos, Irmã Dulce apoiava algumas pessoas de forma especial e uma delas era Taciano Campos. Uma pessoa em quem ela realmente confiava e que a ajudou a construir essa Obra”.

Coordenadora da Residência Médica em Geriatria da instituição, a geriatra Josecy Peixoto relembra, entre as características marcantes do querido amigo, a gentileza de um homem de bem com a vida: “Só com a maturidade pude perceber sua sabedoria, sua coerência com o que acreditava. Um dos principais pilares da OSID, sua figura se mistura com a da própria Irmã Dulce, tradução de fidelidade, lealdade e amor”, salientou.

Ao longo de mais de quatro décadas de trajetória nas Obras Sociais, Dr. Taciano deixou belos exemplos e boas recordações entre os que com ele conviveram. Em todo lugar da instituição, é fácil encontrar um relato, uma lembrança do querido colega, que inclua em seu roteiro cenas de solidariedade, dedicação, atenção e cuidado. Entre esses fatos, um em especial sempre chamava a atenção de Marina Andrade, auxiliar de enfermagem da Cirurgia Geral das Obras: Dr. Taciano costumava preparar bilhetinhos com o nome de pessoas que faziam pedidos e os encaminhava gentilmente aos setores, pedindo ajuda para atendimento a essas solicitações. “Uma pessoa muito boa, prestativa, gostava de ajudar o próximo, tratava bem sem olhar a quem. Eu gostava muito dele”, conta emocionada.

“A OSID perdeu um profissional que era um exemplo para os médicos da instituição, um amigo de todos da casa. Presente, sempre disposto a apoiar o trabalho, a ajudar em tudo que fosse possível. Uma pessoa simples, que tratava todos de igual para igual”, comentou Sandro Barral, cirurgião geral das Obras.

Irmã Olívia, que atua no Santuário da Bem-Aventurada e é integrante da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus (a qual pertenceu Irmã Dulce), também se recorda com muito carinho de Dr. Taciano, que conheceu assim que chegou à OSID, na década de 70: “Pessoa alegre, de fé, muito simples, atenciosa e caridosa, sempre disposto a ajudar. Nunca rejeitava um pedido que fosse feito para algum paciente. Ele realmente se espelhou em Irmã Dulce e procurou viver fazendo caridade. Além disso, era bastante interessado pelas Obras, pelo crescimento da instituição. Lutou até conseguir implantar a Residência Médica. Foi um grande benfeitor. Não temos palavras para expressar o que ele fez pela OSID”.

Entre tantos generosos gestos de atenção de Taciano, Irmã Olívia relembra ainda que o médico nunca deixou de enviar um cartão de Natal para as freiras e, até o falecimento de Irmã Dulce, em 1992, todos os anos ele vinha com toda a família passar o Réveillon na instituição. “Ele não deixava Irmã Dulce sozinha um minuto sequer quando ela ficava acamada ou mostrava qualquer sinal de problema de saúde. Dava assistência o tempo inteiro”.

Despedida – Em clima de grande comoção, a família osidiana – conselheiros, profissionais, moradores, religiosos, pacientes e voluntários – se reuniu no Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, na manhã de ontem (19), para a missa de corpo presente, celebrada por frei Mário Erky, capelão da OSID. Familiares e amigos do médico também compareceram à celebração. “A sua vida por si só já é uma mensagem. Suas palavras, seus gestos, seu bom humor, o que cada um aprendeu com ele. Dr. Taciano ensinou o quanto vale a pena seguir a vida a serviço do bem. Por tudo isso é impossível lembrar dele sem associá-lo a Irmã Dulce”, comentou frei Mário durante sua homilia. Após a missa, o corpo seguiu para o cemitério Jardim da Saudade, onde foi sepultado.

E foi assim, falando de amor e saudade, que amigos e familiares se despediram do médico de todas as horas. Aliás, o amor era algo inerente em sua vida, um caminho sem volta, o qual todos devem trilhar, como nos ensinou certa vez o próprio Taciano, em um de seus artigos: “Nos anos em que andei pelos terrenos férteis de amor; compaixão e serviço desinteressado no Hospital da Irmã Dulce, a medicina foi para mim uma valiosa oportunidade de servir ao próximo. A dádiva sublime de poder aliviar a dor e o sofrimento. A mágica de fazer sorrir quem antes estava triste. A alegria de multiplicar amigos e o orgulho de estar presente, como uma pequena gota nas correntezas do sucesso de ex-internos e residentes. Uma importante alavanca na busca da minha realização física e espiritual”.

Saudades de um filho