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Violinista de renome internacional leva música aos pacientes e estudantes de Irmã Dulce

Violinista de renome internacional leva música aos pacientes e estudantes de Irmã Dulce

O choro era de alegria. Após ouvir a violinista executar uma peça de Bach, bem ao lado do seu leito, em uma das enfermarias do Centro Médico Social Augusto Lopes Pontes (CMSALP), das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), dona Conceição Moreira, 60 anos, não conteve a emoção. Internada há três meses, ela foi às lágrimas diante da “surpresa” que marcou sua rotina de paciente: “Vou ter alta amanhã e pude ouvir uma coisa bonita dessa, hoje, imagine!”, disse aplaudindo com gosto. A musicista agradeceu com um sorriso discreto e movimentos delicados, e partiu para outra enfermaria. A mesma emoção se repetiu na ala masculina do centro. “É a primeira vez que ouço um violino. É lindo”, exclamou Vivaldo Machado, 63, que saiu do seu leito, na enfermaria Santa Rita de Cássia, para ver de perto o que estava acontecendo ali.

Quem iria imaginar um Sete de Setembro ao som de violinos? A música invadira o hospital de Irmã Dulce, o primeiro no Brasil onde a violinista japonesa Midori Goto, tocou. É um serviço que presta voluntariamente em diferentes cidades do mundo. Conhecida e premiada mundialmente por seus projetos de engajamento comunitário pela música, a educadora e ativista que em 2007 ganhou o título de Mensageira da Paz, do Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon, faz questão de tocar para o maior número de pacientes, principalmente os mais debilitados. Midori também é ganhadora de um Grammy na categoria de Melhor Compêndio Clássico, além de outros prêmios.

Em sua passagem por Salvador, Midori, que é professora da Universidade do Sul da Califórnia, teve a companhia de sua aluna, a violinista coreana, Ga Hyun Cho, doutoranda na Escola de Música Thornton, da mesma universidade. Midori veio à Bahia através do programa Orchestra Residencies, criado por ela, e que nessa iniciativa contemplou uma série de atividades com as crianças, adolescentes e jovens atendidos pelo programa Neojiba (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia). Na agenda pedagógica e social da musicista foram incluídas visitas ao Centro Educacional Santo Antônio (CESA), em Simões Filho, onde funciona um dos Núcleos de Prática Orquestral e Coral (NPO) do Neojiba; e às unidades de saúde lotadas na sede da OSID, na capital baiana (Largo de Roma).

A visita ao Complexo Roma foi iniciada por volta das 10 horas de segunda-feira (7), no Hospital da Criança. Passaram pelas enfermarias do primeiro e segundo andares, encantando funcionários, pacientes e acompanhantes, arrancando aplausos, lágrimas e sorrisos. “Me emocionei muito”, confessou Roseli Santos, que acompanhava Cailane, 11 anos, internada há 19 dias. “A música nos deixou felizes”, disse abraçando a filha. A música também fez Rebeca, de dois anos e meio, parar de chorar. No colo da mamãe, Antonieta da Silva, assistiu serenamente ao “show” de Midori. O som dos violinos fez singelos e silenciosos milagres na rotina hospitalar dos pequenos enfermos e de seus acompanhantes.

A mesma expressão de alegria de quem acabara de ganhar um raro presente repercutiu também entre adultos e idosos, como seu Djalma Conceição, 72, paciente psiquiátrico do CMSALP, que retribuía o carinho recebido com aplausos entusiasmados. “É uma das maiores musicistas da atualidade”, disse o maestro Ricardo Castro, fundador e diretor geral do Neojiba, que acompanhou Midori na visita à OSID. Guiada pelo espírito da generosidade, a violinista tocou para a família de Dulce um belo repertório clássico. Foi o seu presente. “Acho que as pessoas gostam de tudo o que lhes traz paz. Temos uma ideia de que paz é um estado de espírito que conhecemos após as guerras. Mas há muitas outras maneiras de se vivenciar a paz”, disse. E foi o desejo de ofertar bem-estar que a levou à casa do Anjo Bom, uma filha também da paz.

Pupilos – Antes de conhecer a sede das Obras Sociais em Salvador, Midori Goto e Ga Hyun Cho foram ao encontro dos alunos do Centro Educacional Santo Antônio, núcleo de educação da OSID. Elas chegaram no início da manhã à escola de Irmã Dulce e foram direto para a sala onde acontecem os ensaios da Orquestra Santo Antônio, projeto realizado em parceria com o Neojiba. Primeiro, ouviu os alunos que tocaram para saudá-la. Depois fez questão de agradecer a recepção calorosa oferecendo seus conhecimentos. “Ela deu uma aula para eles”, conta a coordenadora pedagógica, Rita Fróis. “Foi uma bela contribuição. Não só do ponto de vista técnico. Ela passou sentimento”, relatou. Midori ensinou aos jovens músicos que a música está na alma e que, para expressá-la, precisam tocar com o coração, assim como fez a Bem-Aventurada a fazer de sua vida uma verdadeira ópera de amor e serviço aos pobres e doentes.