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O dia do Anjo

O dia do Anjo

Eram pouco mais de seis da manhã quando o colorido das flores, os dizeres e fotos estampados nas vestes e o terço firme envolto nas mãos denunciavam que aquele seria um despertar diferente para os moradores da Cidade Baixa de Salvador. O motivo não poderia ser outro: o dia do Anjo havia finalmente chegado e com ele a certeza de um encontro com a devoção. E foi assim, atravessando ruas, cidades e estados, que o povo de Dulce caminhou, lado a lado, rumo à casa da Bem-Aventurada. A festa, em honra à religiosa que fez da vida um hino de amor e serviço aos pobres e doentes, reuniu homens e mulheres de diversas localidades; idosos, jovens e crianças para um dia inteiro de testemunhos em forma de cânticos, lágrimas e orações sobre a presença luminosa da Irmã em suas vidas.

E foi também em prece que o histórico 13 de agosto de 2015 abriu sua programação dedicada à beata baiana, com o início da Oração das Mil Ave Marias, às 6h30, seguida da Missa dos Enfermos, às 8h, celebrada por frei Mário Erky, capelão das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). Já às 10h, o ponto alto das comemorações: a Missa Solene, presidida pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, reuniu no santuário da freira uma multidão de fiéis e admiradores da vida e obra do Anjo Bom em uma celebração marcada por gestos de ternura e relatos de devoção.

Histórias de fé e superação como a vivida pela técnica em contabilidade Maristela Pires Oliveira, que veio agradecer ao Anjo Bom pela recuperação da sua filha, de 12 anos. “Minha filha estava com uma bactéria muito perigosa e precisou fazer uma cirurgia delicada. Pedi a Irmã Dulce que intercedesse por ela no momento do procedimento. Deu tudo certo e hoje ela está totalmente recuperada. Aprendi a ser devota desse anjo desde criança, com minha mãe, e essa foi mais uma de tantas graças que já alcançamos com a ajuda de Dulce”, relatou emocionada. Além de religiosos de várias paróquias, a Missa Solene foi concelebrada também pelo bispo da Diocese de Irecê, Dom Tommaso Cascianelli.

Motivos para agradecer também não faltaram à professora Léa Azevedo, que demonstrava toda a sua fé na mão estendida que carregava fotos de familiares e no olhar emocionado em direção à imagem da Bem-Aventurada no altar. “Hoje vim pedir por minha filha e agradecer pela recuperação de um problema do meu filho. Minha mãe também já ficou internada no Hospital Santo Antônio e foi muito bem atendida. São muitas as graças alcançadas ao longo da minha vida. Tenho muita gratidão por Irmã Dulce e propago a minha fé aonde vou”.

Em sua homilia, Dom Murilo destacou que a vida de Irmã Dulce foi uma “pregação viva do Evangelho” e que a beata baiana “deixou como herança seu exemplo”. “Como Mãe dos Pobres, debruçou-se sobre aqueles que viviam várias formas de pobreza. Sua grandeza, e hoje a sua exaltação, reside exatamente na sua capacidade de se doar. Ao acolher o necessitado, era Jesus que acolhia. Seu serviço era, na verdade, voltado para Jesus. Um Jesus que tem muitas curiosidades, entre elas esconder-se no rosto dos pobres”.

Presente à cerimônia, a superintendente da OSID, Maria Rita Pontes, destacou a importância das homenagens em torno do 13 de agosto. “É uma data muito importante para todos nós brasileiros pelo exemplo que Irmã Dulce nos deixou de serviço, de amor e de dedicação. Então hoje é exatamente o dia para lembrarmos tudo que Irmã Dulce fez de bom, de bem, por todos, não só os mais necessitados, e tentar seguir seus passos”. Para o frei Vandeí Santana, reitor do santuário, o fundamental é sempre lembrar o exemplo de Irmã Dulce. “O tema do Novenário deste ano, ’Eu vim para servir’, fala exatamente de serviço, do que sempre caracterizou a vida da Mãe dos Pobres, da necessidade de estarmos sempre nos identificando com Dulce para servir melhor o irmão necessitado”, pontuou.

Além da participação de devotos de diversas partes do país, a festa litúrgica da beata baiana contou ainda com a presença de profissionais, voluntários, pacientes, moradores, gestores e líderes da OSID. Participaram também da cerimônia o presidente do Conselho de Administração das Obras Sociais, Ângelo Calmon de Sá, juntamente com os conselheiros Manoel Castro e Emilton Rosa – acompanhados das respectivas esposas Anna Maria Sá, Neusa Castro e Isabel Ceres; e os também conselheiros José Carvalho Jr. e Edmilson Pinho. Também compareceram à celebração o empresário José Augusto Andrade Mendonça; a escritora Mabel Veloso; Irmã Rosa Aparecida Borges, membro da Paróquia de Sant’Ana, sede da Arquidiocese de Feira de Santana; as irmãs da Congregação de Irmã Dulce e do instituto que ela criou, além de familiares da religiosa.

Tarde de homenagens – A agenda festiva dedicada à Bem-Aventurada continuou pelo período da tarde, quando os devotos da Mãe dos Pobres iniciaram, às 13h, a parte final da Oração das Mil Ave Marias, diante da exposição da Relíquia de Irmã Dulce. Logo depois, às 15h30, frei Mário Erky, capelão da OSID, conduziu a Exposição, Adoração e Benção do Santíssimo Sacramento, cerimônia que, com seus cânticos e louvores, emocionou os fiéis presentes no santuário. A festa em honra à Dulce dos Pobres foi encerrada com a Missa dos Devotos e Funcionários da OSID, às 17h, sob a presidência de frei Vandeí Santana. Considerando o Novenário como um “tempo de retiro”, frei Vandeí concluiu as homenagens do dia falando sobre o amor dos homens e o amor de Deus, “que é entrega e sacrifício”. Ele lembrou que o amor de Irmã Dulce pelos mais humildes é um belo exemplo para todos nós, e que, “para amar como ela amou só precisamos estar dispostos”.