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O dia dedicado a Irmã Dulce

O dia dedicado a Irmã Dulce

Eram pouco mais de oito da manhã quando centenas de pessoas saíram da Igreja do Bonfim em direção ao Santuário do Anjo Bom, anunciando com a Caminhada Irmã Dulce que o tão esperado 13 de agosto havia finalmente chegado. O trajeto que percorreu as ruas da Cidade Baixa deu início, no último domingo, à Festa em honra à Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, com um dia inteiro de homenagens e momentos especiais e inesquecíveis. Nos cânticos e orações, nas lágrimas e aplausos, na alegria empolgante, nos agradecimentos e depoimentos emocionados, foram muitos os testemunhos de fé e admiração pela religiosa que continua presente, seja pela permanência forte do seu trabalho de assistência aos pobres e necessitados, seja pela devoção que só faz crescer entre seus fiéis e admiradores.

Organizada pelo Rotary Club da Bahia, a Caminhada Irmã Dulce trouxe também a mensagem sobre a importância da perpetuação das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) ao arrecadar recursos, mediante a venda da camisa da ação, para a construção de uma nova sala de cirurgia para a instituição, voltada para pacientes oncológicos. Numa verdadeira procissão de fé, o público seguiu acompanhado por canções embaladas pela banda da Polícia Militar da Bahia. Por onde passava, o grupo conquistava aplausos, acenos e palavras de carinho ao Anjo Bom, vindas de moradores e trabalhadores da região. A coincidência da data com o Dia dos Pais contribuiu para dar um clima ainda mais familiar ao evento. A caminhada foi encerrada com uma surpresa emocionante: um terço feito com balões foi solto no céu, que ao mesmo tempo convidava os presentes para a Missa Solene no Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres.

Na casa de Irmã Dulce, mais uma multidão – formada por homens e mulheres de diversas localidades, incluindo idosos, jovens e crianças, além de autoridades; conselheiros, profissionais, pacientes, moradores, voluntários, religiosos e amigos das Obras Sociais; familiares da beata e companheiros rotarianos – participou da celebração, presidida pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, e concelebrada por diversos bispos, frades capuchinhos e padres diocesanos. “Irmã Dulce é uma santa no coração dos brasileiros e nós temos a responsabilidade de manter viva não só a lembrança dela, mas a desta obra que ela nos deixou. Irmã Dulce nos ensina que o carinho pelos doentes é o maior remédio e ela era capaz de pegar uma pessoa no pior estado e abraçá-la como um filho”, declarou o arcebispo.

Certamente é como filho de Dulce que muitos que ali estavam ou que recorrem aos serviços das Obras Sociais se sentem, com histórias de fé e gratidão como a vivida pela aposentada Rita de Carvalho. “Já levei muitos pacientes para Irmã Dulce e, independente das condições, sempre encontrei um tratamento muito humano. Um deles foi uma criança com uma grave pneumonia. Não tinha mais a quem recorrer. A Irmã disse: ‘não tenho mais vagas, mas traga o menino que vou arrumar um colchão’. E lá a criança foi salva. Tenho muita fé em Irmã Dulce e só o exemplo que ela deixou já é motivo para a admirarmos”, relatou emocionada.

A superintendente da OSID, Maria Rita Pontes, destacou a importância das homenagens em torno do 13 de agosto. “Hoje é um dia de alegria para todos nós, baianos e brasileiros que conheceram Irmã Dulce e para aqueles que não conheceram também, mas querem beber dessa fonte de amor e sabedoria”. Ao comentar sobre a comemoração deste ano coincidir com o Dia dos Pais, Maria Rita exaltou o apoio que a beata teve do seu pai, o dentista Augusto Lopes Pontes. “Irmã Dulce teve um pai que sempre apoiou muito todo o trabalho dela e que trazia em sua alma a solidariedade. Então ela herdou isso do pai, essa vocação de se doar e de amar”.

Para o frei Giovanni Messias, reitor do Santuário da Bem-Aventurada, a festa dedicada ao Anjo Bom é um momento de “reavivar a fé e trazer Irmã Dulce como modelo e exemplo para nossa vida”. “Irmã Dulce é modelo de amor ao próximo, de caridade para com o irmão”, pontuou. O frei aproveitou a ocasião para agradecer aos devotos e à família osidiana pela participação intensa nas homenagens a Dulce dos Pobres. “Em nome do Santuário, agradeço a cada um dos irmãos nossos e colaboradores das Obras Sociais por participarem da festa. Que Deus os abençoe abundantemente pela presença, colaboração e partilha, e que possamos juntos tornar presente na vida dos pequenos o grande desejo de Irmã Dulce, o de ‘Amar e Servir’”.

A sétima edição da Festa em honra à Bem-Aventurada Dulce dos Pobres contou ainda, ao longo do dia, com o Momento de Louvor; Exposição, Adoração e Bênção do Santíssimo Sacramento e Missa dos Devotos. A festa passou a ser comemorada a partir da Beatificação da freira baiana, ocorrida em maio de 2011, quando Irmã Dulce recebeu o título de Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, tendo o dia 13 de agosto como data oficial da celebração de sua festa litúrgica. O significado da data remete a 1933, quando a jovem Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em São Cristóvão (Sergipe). Naquele mesmo ano, no dia 13 de agosto, com 19 anos de idade, ela recebeu o hábito e adotou, em homenagem à sua mãe, o nome de Irmã Dulce.