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Filhos de Irmã Dulce declaram seu amor e gratidão ao Anjo Bom

Filhos de Irmã Dulce declaram seu amor e gratidão ao Anjo Bom

A cena do menino que vivia acorrentado pelo pai num casebre em Itacaranha, subúrbio de Salvador, não saía da cabeça do vizinho, um homem chamado Raimundo Rocha. Ex-capitão de areia, ele não tolerava prisão. Na infância, havia conhecido a face mais cruel das ruas, até ser resgatado por Irmã Dulce para um albergue, no Largo de Roma. Foi pensando na guinada de sua vida que ele decidiu pôr um fim também no suplício daquela criança. Rocha foi ao convento falar com a freira a quem chamava de mãe. Depois de ouvi-lo narrar aquela triste história, Irmã Dulce possibilitou com que o garoto fosse conhecer o Orfanato Santo Antônio, em Simões Filho, onde ela acolhia menores sem referência familiar. Se gostasse e diante do consentimento de seu pai, que não tinha condições de criá-lo, ele poderia ficar. Assim, dias depois, naquele ano de 1985, o pequeno Gilmar Santos ganhou um novo lar e 300 irmãos, todos filhos da mesma mãe, a Mãe dos Pobres.

“Irmã Dulce foi uma mãe completa”, declara Gilmar, hoje com 42 anos. Pai de dois filhos e avô de uma bebezinha, o jovem empresário da área da construção civil voltou ao mesmo lugar onde sua vida, a de Rocha e tantas outras se cruzaram, para rever parte da grande família durante o Encontro dos Filhos de Irmã Dulce. Organizado por eles mesmos e pelo núcleo de Recursos Humanos (RH) das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), o encontro foi realizado como parte das homenagens em memória dos 25 anos do falecimento da beata, mas ganha um sentido também especial nesta véspera do Dia das Mães, pois os filhos de Irmã Dulce aproveitaram para novamente declarar seu amor e gratidão ao Anjo que os criou com tanto amor.   

A reunião aconteceu numa ensolarada manhã de sábado (28 de abril) e contou com a presença de Maria Rita Pontes, superintendente das Obras e sobrinha da religiosa; do líder do RH/OSID, Raimundo José – ele mesmo um dos cerca de 70 filhos do Anjo Bom ali reunidos; a líder do Centro Educacional Santo Antônio (CESA), Flávia Rosemberg, além do gestor Operacional da instituição, Sérgio Lopes, e do jornalista Valber Carvalho, que está escrevendo um livro sobre a Bem-Aventurada. Falando da “alegria” de se reunir com tantas pessoas que testemunharam o amor de Irmã Dulce, Maria Rita lembrou que “as Obras são um milagre que a sociedade e todos dessa grande família ajudam a manter vivo”.
 

E a família cresceu - Em meio a uma programação lúdica e integrativa, com sessão de vídeo, partida de futebol, sorteio de brindes e almoço, os filhos de Irmã Dulce presentes ao encontro aproveitaram para tirar fotos e partilhar suas histórias. Também fizeram questão de apresentar a seus filhos, esposas e netos presentes, o velho sítio onde foram criados. O orfanato, afinal, já não existe mais. Desde 1994, o espaço passou a abrigar o Centro Educacional Santo Antônio (CESA), onde atualmente estudam 700 crianças e adolescentes em situação de risco social. 

Muito do que os filhos de Dulce viveram faz parte da memória daquele lugar. Eles recordaram de como tudo era muito organizado dentro de uma rotina com horários definidos para todas as tarefas. A memória de Irmã Dulce também é muito viva, pois o colo que embalou tantas crianças sofridas foi também lugar de novas e felizes relações, como a da família de Jeandson Oliveira, 33 anos: “Irmã Dulce é minha avó, tenho muito orgulho dela”. Formado em Marketing, é o caçula de José Souza, 69, membro da primeira turma do orfanato, e Ana Oliveira, 55, que chegou às Obras criança, após ter perdido os pais. “Tenho muita gratidão a minha mãe, Dulce”, diz Souza, reconhecendo o amor dedicado pela Mãe dos Pobres. Para eles, os valores que aprenderam com o Anjo, e que procuram “praticar juntos”, como lembra Ana, são o maior patrimônio da família.