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Salve o Anjo Bom da Bahia

Salve o Anjo Bom da Bahia

Nunca foi tão difícil expressar em palavras os sentimentos partilhados ao longo desse agosto de homenagens a Irmã Dulce. Talvez, porque não sejam exatamente elas o melhor caminho para traduzir o que os sentidos humanos presenciaram nessa última semana. Até mesmo a Saudade, sempre citada em verso e prosa, já enfrenta questionamentos frente a maior das constatações: o Anjo nunca partiu. Seja nas lágrimas diante da “Ave-Maria” emanada do acordeon do embaixador Waldonys; ou na imersão provocada ao ouvir o “Anjo Azul dos Alagados” na voz do padre Antônio Maria, a verdade é que Dulce nunca saiu do alcance de nossos olhos, ouvidos e corações. Pelo contrário, cada vez mais anjos surgem no radar do Amar e Servir, trazendo em comum o fato de terem sido capturados pelas palavras da Bem-Aventurada: “Dê o máximo de si em favor do seu irmão, e, assim sendo, haverá paz na terra”.

E dispostos justamente a perpetuar esse amor e o serviço ao pobre, ao doente, ao mais necessitado, eles continuam chegando de todas as direções para recontar a trajetória de Dulce e dar novos e belos testemunhos da transformação provocada em suas vidas. E quão belas e diversificadas foram essas manifestações. Da reflexão solitária diante do túmulo do Anjo, passando pela caminhada rumo ao Santuário, até os adornos que hoje continuam a enfeitar a sede das Obras Sociais, o que se vê é um agosto inspirado na Fé. Inspiração que reuniu, em um só coro de cânticos e orações, centenas de idosos, adultos, jovens e crianças durante a Missa Solene. “Essa celebração é um sinal de que Irmã Dulce não morreu. Ela está viva através das obras que realizou, mas também nos provocando a sair daquela indiferença que ainda faz parte de muitas pessoas”, declarou Dom Gilson Andrade, bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, que presidiu a cerimônia no dia 13.

Concelebrada por frei Giovanni Messias, reitor do Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, e demais padres, a missa reuniu fiéis de todas as regiões e também conselheiros, profissionais, pacientes, moradores, voluntários, religiosos e parceiros das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), além de autoridades, companheiros rotarianos, amigos e familiares da beata. “Dulce foi um exemplo de solidariedade e amor ao próximo. Tenho certeza, ela está feliz em ver esse trabalho sendo perpetuado”, afirmou a superintendente da OSID, Maria Rita Pontes. “Irmã Dulce é um modelo de seguimento à Cristo e cabe a nós vivermos também o nosso chamado, o chamado que Deus faz a cada um”, ressaltou o frei Giovanni Messias.

MÚSICA PARA O ANJO – Já no dia anterior à Missa Solene, padre Antônio Maria foi protagonista de um dos mais belos encontros com os devotos da beata baiana, ocasião em que apresentou no Santuário um repertório repleto de referências, começando com “Emoções”, um dos maiores hits de Roberto Carlos, artista que Irmã Dulce admirava. Durante quase duas horas, a plateia animada cantou, dançou e fez coro para canções como “Noites Traiçoeiras”, sucesso na voz de Padre Marcelo Rossi, e “Festa”, de Ivete Sangalo. Misturando MPB e música católica, samba e axé, ele fez uma tarde de louvor singular, mostrando que também dirigimos os pensamentos a Deus quando levamos alegria às pessoas.

Após 13 dias de programação litúrgica, a agenda festiva foi encerrada com a Missa dos Devotos e Funcionários da OSID. Na homilia, padre José Cristo, que presidiu a celebração, falou sobre os valores como legado imaterial de Dulce, lembrando que ainda hoje podemos nos inspirar em seu exemplo de amor, força e fé. Entre as cenas mais marcantes que antecederam os instantes finais da cerimônia, destaque para a protagonizada pelo acordeonista cearense Waldonys, que no momento da Ação de Graças entrou na igreja tocando a Ave-Maria em seu acordeon. Caminhando ao seu lado até o altar estava a voluntária mirim Sophie Mendonça, vestida de Irmã Dulce e carregando um acordeon alegórico, representando o instrumento que a religiosa tanto gostava. A cena aconteceu à meia-luz e contou com a participação dos fiéis, que usaram seus celulares para iluminar o caminho por onde passavam os anjos.