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É hora de agradecer - Artigo do arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger

É hora de agradecer - Artigo do arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger
Por Dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil e
presidente de honra do Conselho de Administração das Obras Sociais Irmã Dulce 
 
Que privilégio ter participado, em Roma, da canonização de Santa Dulce dos Pobres, e da celebração na Basílica de Sant´Andrea della Valle! Que graça especial ter tido a possibilidade de estar na Arena Fonte Nova, no último domingo! Foram acontecimentos históricos, inesquecíveis, daqueles que passam a ser, em nossa vida, “um divisor de águas”.

Incrível a capacidade daquela mulher pequena, magra e frágil, de movimentar multidões em clima de festa!  A palavra “emoção” foi  exaustivamente empregada pelos que tentaram descrever o que  vivenciaram, tanto em Roma como em Salvador. 

Assistindo de perto à encenação da vida de Irmã Dulce, na Fonte Nova, pude perceber o semblante alegre de crianças e adolescentes, de jovens e adultos, durante a apresentação. Quem ali se encontrava tinha consciência de que não participava de um teatro, mas da encenação de uma vida que estava acontecendo naquele momento. Todos sabiam que ali estavam porque eram beneficiados pelos sonhos de uma soteropolitana que não se intimidara com dificuldades e obstáculos. Quando entraram, em cadeiras de rodas ou em macas, crianças e jovens totalmente dependentes – e entraram sorrindo! -, foi impossível conter as lágrimas. O carinho de quem os levava prolongava o atendimento que Irmã Dulce deu, ao longo de sua vida, a um imenso número de pessoas que viviam em idêntica situação. 

Não há dúvida: a herança de Irmã Dulce é viva; sua história não é de um passado remoto, mas continua nas obras sociais que deixou e é vivida por aqueles que acreditam que vale a pena dedicar o melhor de seus esforços, quando se está diante de um ser humano. Para quem tem fé, tudo passa a ser iluminado pela palavra que, segundo Jesus, ele dirá no Juízo Final, para aqueles que o amaram e o serviram: “Foi a mim que o fizestes!”

Poucas vezes em minha vida testemunhei um fato como o vivido na bela tarde de domingo passado, na Arena Fonte Nova. (Poucas vezes essa Arena viverá momentos semelhantes àquele!) Vi alegria e sorrisos no rosto dos bispos (35) e dos padres (675); nas feições dos diáconos e dos religiosos e religiosas (quem conseguiria calcular seu número?); vi emoção no rosto dos leigos e leigas que rezavam, cantavam e a tudo prestavam a máxima atenção. Interessante: ninguém queria perder nada; parecia que o sol era brando (e como estava quente!) e que as horas não passavam. No final, quando a imagem de Santa Dulce dos Pobres foi levada em procissão, tive a impressão de que o desejo de cada um era lhe dizer: “Obrigado, cara Irmã, pelo seu testemunho! Obrigado por sua fidelidade a Jesus! Obrigado por seu amor aos pobres!” 
 
De minha parte, digo: Obrigado, Santíssima Trindade, por essa inesquecível experiência de amor! 
 
Artigo publicado no jornal A Tarde, em 27/10/2019