Alguns historiadores creditam a origem da beatificação e da canonização na Igreja Católica a uma adaptação dos antigos rituais pagãos de deificação, ou exaltação de homens, normalmente heróis ou governantes, à categoria de deuses. Esses ritos estavam invariavelmente ligados ao culto dos mortos e ancestrais e foi muitas vezes utilizado com objetivos políticos ou para distrair a atenção da crueldade dos governantes imperiais. A canonização da Igreja Católica é um assunto completamente diferente.
O catolicismo concede a beatificação ou canonização apenas àqueles cujas vidas foram marcadas pelo exercício das virtudes heróicas e só depois que sua reputação de santidade foi testada com argumentos conclusivos. A Igreja vê nos santos mais do que amigos e servos de Deus, mas seres cuja santa vida lhes valeu uma forma especial de Seu amor.
A verdadeira origem da canonização e beatificação deriva da doutrina católica de adoração (culto), invocação e intercessão dos santos. Na Igreja os altares são erguidos e dedicados somente a Deus, mas honram e lembram os santos e mártires.
O culto de latria (latreia), ou adoração, a rigor, só é dado a Deus, a veneração de dulia (douleia), ou a honra e reverência humilde, é dada aos santos, a veneração de hiperdulia, uma forma superior de dulia (hyperdouleia) corresponde, devido a uma maior excelência, à Virgem Maria.
Às vezes, é objetado que a invocação de santos se opõe ao fato de que o único mediador é Jesus Cristo. Não há dúvida de que há "um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." Mas ele é o nosso mediador na qualidade de nosso Redentor comum.
Desde o início da consolidação do cristianismo e da época patrística (séculos I a VIII) existem registros de veneração dos mártires. Muitos Padres da Igreja (primeiros teóricos) como Tertuliano apesar de insistirem que a glória eterna só seria obtida com a ressurreição dos mortos, admitiam uma exceção para os mártires. Apenas a certeza moral privada de sua santidade, no entanto, não era suficiente para a veneração.Para evitar que a honra litúrgica aos mártires fosse dada indiscriminadamente a todos aqueles que aparentemente morreram em nome da Fé, a Igreja passou a adotar critérios e analisar cada caso de forma a confirmar o martírio. Os que tinham sua fama e martírio confirmadas eram chamados de mártires testados (Vindicatio). Nos primeiros dias da Igreja, o culto dos santos foi totalmente local e passou de uma igreja para outra, com a permissão dos seus bispos.
A veneração dos confessores, aqueles que morreram pacificamente após uma vida de virtude heróica, não é tão antiga como a dos mártires. No início do período cristão, a palavra confessor tinha um significado diverso do atual. Ela era dada aqueles que confessaram a Cristo quando eles foram examinados na presença dos inimigos da Fé ou, como explica Bento XIV, aqueles que morreram pacificamente depois de ter confessado a fé diante de tiranos e inimigos da religião cristã, foram torturados ou sofreram outras punições de qualquer espécie. Posteriormente, os confessores eram aqueles que tinham vivido uma vida santa e tiveram uma morte santa em paz cristã. É neste sentido que agora veneramos confessores.
Muitos escritos e estudiosos da Igreja apontam o século IV, como o período em que foi pela primeira vez dada a honra eclesiástica pública aos confessores. A razão desta veneração reside, sem dúvida, na semelhança entre a vida de abnegação, heroísmo e virtude deles com os sofrimentos dos mártires, vivendo o que pode ser verdadeiramente chamado de martírio prolongado. Naturalmente e, conseqüentemente, esta homenagem foi dada o primeiro para os ascetas e só depois aos que viveram uma vida que encarnava a o caráter extraordinário e penitencial dos ascetas. Tanto assim, que os confessores eram frequentemente chamados de mártires.
Posteriormente, os nomes dos confessores foram incluídos nos folhetos e foram reverenciados, bem como suas sepulturas, com o mesmo título dos mártires. No entanto não era permitida a veneração dos confessores sem permissão da autoridade eclesiástica, como tinha sido o culto dos mártires. Durante vários séculos apenas os bispos, e em alguns lugares somente os patriarcas, podiam conceder aos mártires e confessores honra eclesiástica pública, a honra, no entanto, sempre foi decretado apenas para o território sobre o qual os outorgantes tinham jurisdição.
Perto do final do século XI, os papas viram que era necessário restringir a autoridade episcopal, e Roma decretou que as virtudes e os milagres das pessoas propostas para veneração pública deveriam ser examinadas em conselhos. Mas, mesmo após esse decreto, ocorreram abusos, tanto por causa da indiscrições de fervor popular como pelo descaso de alguns bispos em descobrir em profundidade a vida daqueles que passaram a ser honrados como santos. O Papa Alexandre III (1159-1181) então proibiu veneração determinando que ela só poderia ocorrer com a autorização da Igreja Romana.
Como os teólogos na época não reconheceram a autoridade integral do decreto foi feita uma nova lei que confirmava a autoridade e o arbítrio papal nas questões de beatificação. O decreto porém não pôs fim as controvérsias pois alguns bispos insistiam em manter a autoridade com relação as beatificações. A questão só foi encerrada quando o Papa Urbano VII publicou, em 1634, uma bula que reservou a Santa Sé não só o direito imemorial da canonização, mas também da beatificação.
Pesquisa: site do Papa João Paulo II: http://www.karol-wojtyla.org/Es/La%20Causa/Natura%20e%20Norme.aspx
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